Segundo mandato de Barack Obama é, na opinião de
analistas, uma boa notícia para a Europa e para as relações transatlânticas.
Reeleição aumenta, porém, expectativas no continente.
O
desejo da maioria dos europeus tornou-se realidade. Barack Obama foi eleito
para um segundo mandato na Casa Branca. Analistas europeus veem esta como uma
boa notícia. "Obama é certamente mais próximo dos europeus do que Romney
no que se refere à política interna e a políticas sociais. Isso foi constatado,
inclusive, em pesquisas de opinião na Europa", lembra Marius Busemeyer,
cientista político da Universidade de Constança.
Pablo
Fernández, diretor da PHX Marketing refere que a reeleição de Obama é algo positivo
porque no ambiente instável em que nos encontramos agora uma mudança de “ator
num cenário internacional”, aumentaria ainda mais essa instabilidade. Obama
mostra-se como uma base sólida a partir da qual construir um futuro será mais
consistente.
"Para
a Europa, ele significa previsibilidade", compara Heinz Gärtner, do
Instituto Austríaco de Política Internacional, em Viena. "Romney seria
muito imprevisível para a Europa, porque já mudou suas posições sobre
desenvolvimentos globais várias vezes."
"Obama,
por sua vez, não tem motivos para alterar sua política para a Europa após sua
vitória eleitoral", observa Vincent Michelot, especialista em EUA da
Universidade Sciences Po, de Lyon. "Por outro lado, isso pode significar
que o presidente pedirá à Europa para se esforçar mais para colocar a economia
de volta nos trilhos, já que a recuperação da economia norte-americana depende
também de uma melhora na situação europeia."
Mais envolvimento internacional
Além
do aspecto econômico, o governo reeleito pode exigir também que a Europa se
empenhe mais na parceria com os Estados Unidos. Um exemplo citado por Gärtner é
a busca de soluções para a guerra civil na Síria e para a disputa sobre o
programa nuclear iraniano.
Obama
pode também vir a pedir ajuda transatlântica num tema que atualmente é muito
importante para os europeus: proteção climática e política ambiental, que o
presidente poderia trazer de volta à pauta em Washington.
Apesar do foco maior que a política externa
dos EUA tem destinado à Ásia, a Europa vai continuar sendo o parceiro mais
importante e confiável para os Estados Unidos, segundo o especialista.
"Acho que a chamada reorientação dos Estados Unidos para o Pacífico foi
realmente exagerada", diz Michelot. "Não é como se os EUA tivessem
deixado a Europa sozinha de repente, ou como se a relação tivesse
esfriado."
Ele
ressalta, ainda, que um aspecto importante é o fato de os EUA terem que cuidar
de problemas mais urgentes no mundo do que a Europa. "A crise econômica
europeia preocupa Washington, mas não se compara ao programa nuclear do Irã ou
a outras ameaças globais."
Romney teria dividido Europa
No
entanto, os especialistas alertam que não há razão para que os europeus
descansem, acreditando que a parceria transatlântica se manterá sempre sólida.
Primeiro, porque os Estados Unidos também no futuro continuarão a direcionar
sua atenção para outras regiões do mundo e, segundo, porque Obama, ao contrário
de presidentes anteriores, não tem ligação pessoal alguma com a Europa.
Mesmo
assim, Obama é indiscutivelmente a melhor opção para o continente. "Foi
uma decisão muito boa para a Europa", salienta Gärtner. "Se Romney se
tornasse presidente, teria provocado uma divisão similar à ocorrida na gestão
de George W. Bush. E a política de Romney em relação a China, Rússia e Oriente
Médio teria dividido os europeus, o que seria um desastre para o
continente."
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Obama,
com líder alemã Merkel e secretário-geral da Otan, Rasmussen: garantia de
estabilidade para europeus
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