sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Homem mais rico do país dá solução para jovens desempregados


            Para Alexandre Soares dos Santos, rosto da Jerónimo Martins e homem mais rico de Portugal, os trabalhadores mais velhos «estão perfeitos» e não devem ser substituídos pelos jovens.
            «Estamos a recrutar cada vez menos gente nova porque os quadros que nós temos são excelentes. Um tipo aos 55 anos está perfeito», disse Soares dos Santos, que assistia na plateia à conferência «Projeções 2030 - Futuro: Certezas e Margens de Liberdade».
            «Numa situação económica difícil, com o mercado de trabalho totalmente estagnado, não se vai recrutar ninguém. Ora, eu vou despedir um trabalhador com 50 anos para colocar um trabalhador novo? A única solução é ser um cidadão do mundo e trabalhar onde houver trabalho», admitiu o dono da cadeia Pingo Doce, acrescentando que «neste sentido, a licenciatura abre horizontes».
            Pablo Fernández, diretor da PHX Marketing não concorda com as afirmações de Alexandre Soares dos Santos porque a solução do desemprego nos jovens não passa por mandar estes para fora do país, porque isso produzirá um efeito boomerang - a inversão feita nos seus próprios estudos acaba por mandar os jovens para fora do país ou obrigar estes mesmos jovens a fazer um novo investimentos em outras ares de conhecimento, para assi conseguirem entrar no mercado laborar. Sendo assim como acontece no Canada que tem uma das maiores taxas de emprego nos jovens do mundo, através de politicas como programa de YES, que cria vagas de emprego em diferentes âmbitos estatais a fim de providenciar diferentes oportunidades aos jovens. Os jovens canadianos não emigram devido a essa oportunidade.
                Uma opinião partilhada por Mário Centeno, economista doutorado na Universidade de Harvard, para quem se dirigia o comentário, seguido depois da defesa feita por este especialista sobre a importância da educação no futuro profissional.
            «As relações laborais conhecidas são para serem longas. É a única maneira dos investimentos feitos terem retorno e de gerar incentivos para o trabalhador em toda a vida ativa», respondeu Mário Centeno, adiantando que «não são despedidos trabalhadores das empresas quando passam os 40 anos. É absolutamente errado pensar que é o nosso Código de Trabalho protege os trabalhadores».
            Mas além de carreiras longas, Centeno quis apontar para as profissões do futuro: «Todas as profissões que possam ser desempenhadas por computadores estão em risco. Já as mais baixas qualificações e as mais altas (como a nanotecnologia ou as finanças) vão permanecer no tempo».
            Por isso, o economista defende que «é importante investir mais na tecnologia. E a tecnologia exige qualificações específicas, como a matemática, ciências, gramática e lógica do pensamento. É este o investimento que temos de fazer».
            Isto apesar de sabermos hoje que «ter um curso superior não é ter uma vacina contra o desemprego e contra a pobreza», como alertou, na mesma conferência, Carlos Rodrigues Farinha, professor no ISEG, acrescentando que «o prémio da educação está a cair brutalmente», ou seja, o fosso entre os salários dos trabalhadores pouco qualificados e com educação superior é, cada vez, menor.
            «Em 1993, uma família com um nível de educação superior tinha um rendimento três vezes superior face à média. Já em 2009, a diferença é apenas do dobro».

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